Coluna / Columna v.24, n.4 /2025

FEOCROMOCITOMA COM LESÃO METASTÁTICA EM VÉRTEBRA L4 E DÉFICIT NEUROLÓGICO: RELATO DE CASO


PHEOCHROMOCYTOMA WITH METASTATIC LESION IN THE L4 VERTEBRA AND NEUROLOGICAL DEFICIT: CASE REPORT


FEOCROMOCITOMA CON LESIÓN METASTÁSICA EN LA VÉRTEBRA L4 Y DÉFICIT NEUROLÓGICO: REPORTE DE CASO


Santiago Alexis Naranjo Tipan , Giovanni Scorzoni Paro , Italo Gerardo Rotondo , Douglas Kenji Narazaki


DOI: http://dx.doi.org/10.1590/S1808-185120252404298561



RESUMO:

Objetivo:
Descrever uma abordagem cirúrgica rara em tempo único para feocromocitoma metastático vertebral em um adulto de meia-idade e revisar estratégias de manejo perioperatório.

Introdução:
Feocromocitomas são tumores neuroendócrinos raros (incidência de 0,2–0,9/100.000/ano), com cerca de 10% evoluindo com metástases. O acometimento ósseo — especialmente da coluna vertebral — é comum nos casos malignos. Metástases espinhais por feocromocitoma apresentam desafios hemodinâmicos devido à secreção de catecolaminas, e não há consenso sobre o tratamento.

Apresentação do caso:
Homem de 38 anos com feocromocitoma adrenal direito em uso de doxazosina relatava dor lombar intensa e déficit sensitivo-motor em L4. Tomografia e ressonância revelaram lesão osteolítica em L4 com extensão epidural e focos metastáticos adicionais em T11 e L1. Após recusar cirurgia em estágios, foi submetido a corpectomia oblíqua ântero-lateral de L4 e artrodese com uso de cage expansível. A preparação pré-operatória incluiu bloqueio alfa (doxazosina 2 mg/dia), bloqueio beta e embolização tumoral fluoroscópica.

Discussão:
A metástase vertebral de feocromocitoma é rara, com predomínio em homens e acometimento frequente da coluna torácica. O diagnóstico baseia-se em sintomas adrenérgicos, déficit neurológico, metanefrinas elevadas e imagem (TC/RM). A biópsia é evitada pelo risco de sangramento. O preparo cirúrgico inclui bloqueio α/β-adrenérgico e embolização. Para o manejo, a ressecção em bloco com estabilização é preferível, com pós-operatório difícil exigindo cuidados intensivos devido à instabilidade hemodinâmica.

Conclusão:
A ressecção vertebral em tempo único para feocromocitoma metastático é viável quando acompanhada de bloqueio adrenérgico adequado, embolização pré-operatória e suporte multidisciplinar. Apesar da intervenção agressiva, a recorrência e o declínio neurológico são comuns, ressaltando a importância do diagnóstico precoce e do planejamento perioperatório individualizado. .


Palavras-chave: Feocromocitoma,Metástase Espinhal,Lombossacral,Descompressão,Embolização Terapêutica,Corpectomia Vertebral

ABSTRACT

Objective:
To describe a rare single-stage surgical approach for vertebral metastatic pheochromocytoma in a middle-aged adult and review perioperative management strategies. Introduction Pheochromocytomas are rare neuroendocrine tumors (incidence 0.2–0.9/100,000/year), and about 10% develop metastases. Bone involvement— especially in the spine —is common in malignant cases. Spinal metastases from pheochromocytoma present hemodynamic challenges due to catecholamine secretion, and no consensus exists on treatment.

Case presentation:
A 38-year-old man with right adrenal pheochromocytoma on doxazosin reported severe low back pain and an L4 sensorimotor deficit. CT and MRI revealed an osteolytic lesion at L4 with epidural extension and additional metastatic foci at T11 and L1. Declining staged procedures, he underwent single-stage oblique anterolateral L4 corpectomy and fusion with an expandable cage. Preoperative preparation: α-blockade (doxazosin 2 mg/day), β-blockade, and fluoroscopic tumor embolization.

Discussion:
Vertebral metastasis from pheochromocytoma is rare, with male predominance and frequent involvement of the thoracic spine. Diagnosis is based on adrenergic symptoms, neurological deficits, elevated metanephrines, and imaging (CT/MRI). Biopsy is avoided due to bleeding risk. Surgical preparation includes α/β-adrenergic blockade and embolization. For management, en bloc resection with stabilization is preferred, with a challenging postoperative period requiring intensive care due to hemodynamic instability.

Conclusion:
Single-stage vertebral resection for metastatic pheochromocytoma is feasible when accompanied by adequate adrenergic blockade, preoperative embolization, and multidisciplinary support. Despite aggressive intervention, recurrence and neurological decline are common, underscoring the importance of early diagnosis and individualized perioperative planning. .


Keywords: Pheochromocytoma,Spinal Metastasis,Lumbosacral,Decompression,Therapeutic Embolization,Vertebral Corpectomy

Resumen

Objetivo:
Describir un abordaje quirúrgico raro en un solo tiempo para feocromocitoma metastásico vertebral en un adulto de mediana edad y revisar estrategias de manejo perioperatorio.

Introducción:
Los feocromocitomas son tumores neuroendocrinos raros (incidencia de 0,2–0,9/100.000/año), y aproximadamente el 10% desarrolla metástasis. El compromiso óseo —especialmente de la columna vertebral— es común en los casos malignos. Las metástasis espinales por feocromocitoma presentan desafíos hemodinámicos debido a la secreción de catecolaminas, y no existe un consenso sobre el tratamiento.

Discusión:
La metástasis vertebral por feocromocitoma es rara, con predominio en hombres y afectación frecuente de la columna torácica. El diagnóstico se basa en síntomas adrenérgicos, déficit neurológico, metanefrinas elevadas e imágenes (TC/RM). La biopsia se evita por riesgo de sangrado. La preparación quirúrgica incluye bloqueo adrenérgico α/β y embolización. Para el manejo, se prefiere la resección en bloque con estabilización, con un postoperatorio complejo que requiere cuidados intensivos por inestabilidad hemodinámica.

Resultados:
Pérdida sanguínea estimada de 5.000 mL; se transfundieron tres unidades de concentrado de hematíes. La histopatología confirmó feocromocitoma metastásico con tinción positiva para cromogranina A, inhibina, sinaptofisina y TFE3. En el posoperatorio, presentó taquicardia supraventricular, shock séptico y trombosis venosa profunda. Posteriormente, una estenosis traqueal requirió tubo en T de Montgomery. Estudios de control mostraron recidiva en L4 y progresión en T3, T11 y L1, por lo que se inició radioterapia paliativa. Evolucionó con empeoramiento de la debilidad en extremidades inferiores e incontinencia urinaria, requiriendo cuidados intensivos prolongados.

Conclusión:
La resección vertebral en un solo tiempo para feocromocitoma metastásico es factible cuando se acompaña de un bloqueo adrenérgico adecuado, embolización preoperatoria y apoyo multidisciplinario. A pesar de una intervención agresiva, son frecuentes la recurrencia y el deterioro neurológico, lo que subraya la importancia del diagnóstico temprano y de una planificación perioperatoria individualizada. .


Palavras-chave: Feocromocitoma,Metástasis Espinal,Lumbosacra,Descompresión,Embolización Terapéutica,Corpectomía Vertebral






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