DOI: https://doi.org/10.1590/S1808-185120252403297987
RESUMO
A taxa de morbilidade global relacionada à cirurgia de tumores da coluna cervical
é de aproximadamente 20%, o que torna necessário o desenvolvimento de
estratégias de mitigação. Diversas estruturas anatômicas presentes na coluna
cervical, como a medula espinhal, raízes nervosas e artéria vertebral, podem
sofrer danos cirúrgicos iatrogênicos, o que pode aumentar a morbilidade. Os
programas de treinamento cirúrgico priorizam o aprendizado da dissecção tumoral
em relação às estruturas nervosas, porém costumam apresentar lacunas quanto à
exposição e ao manejo da artéria vertebral quando esta está envolvida pelo
tumor. O temor de danificar a artéria vertebral frequentemente limita a remoção
total do tumor ou exige o uso de ângulos de abordagem menos favoráveis,
resultando em uma retração excessiva do neuro-eixo, o que aumenta a morbilidade.
A artéria vertebral pode ser exposta segundo uma técnica cirúrgica precisa que
reduz ao mínimo a sua lesão iatrogénica. Neste artigo de revisão, os autores
analisam a anatomia cirúrgica da artéria vertebral, abrangendo suas variantes e
anomalias. Além disso, discutem a argumentação e a viabilidade da exposição,
esqueletonização, controle e mobilização da artéria vertebral por meio das
abordagens laterais à coluna cervical e à charneira crânio-vertebral. Nível de
Evidência V; Opinião do Especialista.
ABSTRACT
The overall morbidity associated with cervical spine tumor surgery is
approximately 20%, necessitating the development of mitigation strategies.
Several critical anatomical structures inside the cervical spine are vulnerable
to iatrogenic injury, adding significantly to morbidity. These include the
spinal cord, nerve roots, and vertebral artery (VA). Despite the emphasis on
meticulous neuro-dissection from the tumor mass in training programs, a majority
of surgeons still refrain from working around the VA. This creates a persistent
fear of harming the VA, resulting in partial tumor removal or more difficult
angles of attack on the tumor, requiring greater retraction of the neural tissue
and contributing to morbidity. The VA can be exposed with a precise surgical
technique that minimizes the iatrogenic lesion and the potential morbidity. In
this paper, the authors review the surgical anatomy of the vertebral artery,
including its variants, and analyze the rationale and feasibility of exposing,
skeletonizing, controlling, and mobilizing the VA using the lateral approaches
to cervical spine and craniovertebral junction (CVJ).
Resumen
La tasa de morbilidad general relacionada con la cirugía de tumores de la columna
cervical es de aproximadamente el 20%, lo que requiere el desarrollo de
estrategias de mitigación. Varias estructuras anatómicas en la columna cervical,
como la médula espinal, las raíces nerviosas y la arteria vertebral, pueden
sufrir daño quirúrgico iatrogénico, lo que puede aumentar la morbilidad. Los
programas de capacitación quirúrgica priorizan la disección del tumor sobre las
estructuras nerviosas, pero a menudo carecen de conocimiento sobre la exposición
y el manejo de la arteria vertebral cuando está afectada por el tumor. El temor
a dañar la arteria vertebral a menudo limita la extirpación total del tumor o
requiere el uso de ángulos de abordaje menos favorables, lo que resulta en una
retracción excesiva del neuroeje, lo que aumenta la morbilidad. La arteria
vertebral puede exponerse utilizando una técnica quirúrgica precisa que minimiza
la lesión iatrogénica. En este artículo de revisión, los autores analizan la
anatomía quirúrgica de la arteria vertebral, abarcando sus variantes y
anomalías. Además, se analiza la justificación y la viabilidad de exponer,
esqueletizar, controlar y movilizar la arteria vertebral mediante abordajes
laterales a la columna cervical y la charnella craneovertebral. Nivel de
Evidencia V; Opinión de Expertos.