, TARCISIO MARCONI NOVAES TORRES
, ASDRUBAL FALAVIGNA
, LUIS EDUARDO CARELLI TEIXEIRA DA SILVA
, ALEXANDRE FOGAçA CRISTANTE
, HELTON LUIZ APARECIDO DEFINO
, MARCELO ITALO RISSO
, SERGIO DOMINGOS PITTELLI
, WANDERLEY MARQUES BERNARDO
, EDUARDO ACHAR
, JESSICA BIANCA AILY
, ROBERT MEVES 
RESUMO
Objetivo:
Identificar e analisar as principais barreiras administrativas, econômicas e
estruturais impostas pela saúde suplementar à realização de cirurgias de
coluna no Brasil, sob a perspectiva de cirurgiões especialistas.
Métodos:
Estudo transversal com 134 cirurgiões de coluna, membros da Sociedade
Brasileira de Coluna (SBC) e da Sociedade Brasileira de Neurocirurgia (SBN),
por meio de questionário eletrônico. Foram coletados dados demográficos,
perfil profissional e a frequência de barreiras, medida por escala ordinal.
As análises estatísticas utilizaram os testes Qui-quadrado, Exato de Fisher
e Kruskal-Wallis (p<0,05).
Resultados:
A amostra foi composta predominantemente por ortopedistas (80,6%), homens
(96,3%), com mediana de 18,5 anos de prática e atuação majoritária no setor
privado (82,2%). As barreiras mais prevalentes foram atraso na aprovação
superior a 21 dias (78,4%), negativa de procedimentos (71,6%) e exigência de
segunda opinião por auditores (70,9%). Neurocirurgiões mostraram-se mais
vulneráveis à modificação da técnica (p=0,002) e negativa de urgências
(p=0,006) que ortopedistas. Cirurgiões com 11 a 20 anos de experiência
relataram mais negativas de procedimentos (p=0,027). O desvio de pacientes
foi mais frequente em casos de deformidades (p<0,001).
Conclusão:
As barreiras impostas pela saúde suplementar comprometem o acesso a cirurgias
de coluna no Brasil, gerando impacto clínico e social. É necessária maior
fiscalização da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), transparência
nos processos de autorização e o fortalecimento de protocolos consensuais
entre sociedades médicas para assegurar um tratamento equitativo e
eficiente. Nível de evidência III; Estudo transversal.
ABSTRACT
Objective:
To identify and analyze the main administrative, economic, and structural
barriers imposed by private health insurance on the performance of spine
surgeries in Brazil, from the perspective of specialist surgeons.
Methods:
A cross-sectional study was conducted using an electronic questionnaire
administered to 134 spine surgeons affiliated with the Brazilian Spine
Society (SBC) and the Brazilian Society of Neurosurgery (SBN). Data on
demographics, professional profile, and the frequency of barriers, measured
by an ordinal scale, were collected. Statistical analyses included
Chi-square, Fisher’s Exact, and Kruskal-Wallis tests (p<0.05).
Results:
The sample consisted mainly of orthopedists (80.6%), males (96.3%), with a
median of 18.5 years of practice, and a majority working in the private
sector (82.2%). The most prevalent barriers were approval delays exceeding
21 days (78.4%), procedure denials (71.6%), and the requirement of a second
opinion by auditors (70.9%). Neurosurgeons were more vulnerable to technique
modification (p=0.002) and emergency denials (p=0.006) than orthopedists.
Surgeons with 11 to 20 years of experience reported more procedure denials
(p=0.027). Patient diversion was more frequent in cases of deformities
(p<0.001).
Conclusion:
Barriers imposed by private health insurance significantly compromise access
to spine surgeries in Brazil, leading to clinical and social impacts.
Greater oversight by the National Supplementary Health Agency (ANS),
transparency in authorization processes, and the strengthening of
consensus-based protocols among medical societies are needed to ensure
equitable and efficient treatment.
Resumen
Objetivo:
Identificar y analizar las principales barreras administrativas, económicas y
estructurales impuestas por el sistema de salud suplementario para la
realización de cirugías de columna en Brasil, desde la perspectiva de
cirujanos especialistas.
Métodos:
Estudio transversal realizado mediante un cuestionario electrónico aplicado a
134 cirujanos de columna, miembros de la Sociedad Brasileña de Columna (SBC)
y la Sociedad Brasileña de Neurocirugía (SBN). Se recopilaron datos
demográficos, perfil profesional y la frecuencia de las barreras, medida en
una escala ordinal. Los análisis estadísticos incluyeron las pruebas de
Chi-cuadrado, Exacta de Fisher y Kruskal-Wallis (p<0,05).
Resultados:
La muestra estuvo compuesta mayoritariamente por ortopedistas (80,6%),
hombres (96,3%), con una mediana de 18,5 años de práctica y una actuación
predominante en el sector privado (82,2%). Las barreras más prevalentes
fueron retraso en la aprobación superior a 21 días (78,4%), denegación de
procedimientos (71,6%) y la exigencia de una segunda opinión por parte de
auditores (70,9%). Los neurocirujanos se mostraron más vulnerables a la
modificación de la técnica (p=0,002) y a la denegación de urgencias
(p=0,006) que los ortopedistas. Los cirujanos con 11 a 20 años de
experiencia reportaron más denegaciones de procedimientos (p=0,027). El
desvío de pacientes fue más frecuente en casos de deformidades
(p<0,001).
Conclusión:
Las barreras impuestas por el sistema de salud suplementario comprometen
significativamente el acceso a las cirugías de columna en Brasil, generando
un impacto clínico y social. Es necesaria una mayor fiscalización por parte
de la Agencia Nacional de Salud Suplementaria (ANS), transparencia en los
procesos de autorización y el fortalecimiento de protocolos consensuados
entre las sociedades médicas para asegurar un tratamiento equitativo y
eficiente. Nivel de evidencia III; estudio de corte transversal.