Coluna / Columna v.25, n.1 /2025

BARREIRAS IMPOSTAS PELA SAÚDE SUPLEMENTAR À REALIZAÇÃO DE CIRURGIAS DA COLUNA NO BRASIL: UMA ANÁLISE SOB A PERSPECTIVA DE CIRURGIÕES


BARRIERS IMPOSED BY SUPPLEMENTARY HEALTH ON SPINE SURGERY IN BRAZIL: AN ANALYSIS FROM THE PERSPECTIVE OF SURGEONS


BARRERAS IMPUESTAS POR EL SISTEMA DE SALUD SUPLEMENTARIO A LA REALIZACIÓN DE CIRUGÍAS DE COLUMNA EN BRASIL: UN ANÁLISIS DESDE LA PERSPECTIVA DE LOS CIRUJANOS


RONALD DE LUCENA FARIAS , TARCISIO MARCONI NOVAES TORRES , ASDRUBAL FALAVIGNA , LUIS EDUARDO CARELLI TEIXEIRA DA SILVA , ALEXANDRE FOGAçA CRISTANTE , HELTON LUIZ APARECIDO DEFINO , MARCELO ITALO RISSO , SERGIO DOMINGOS PITTELLI , WANDERLEY MARQUES BERNARDO , EDUARDO ACHAR , JESSICA BIANCA AILY , ROBERT MEVES


DOI: http://dx.doi.org/01001



RESUMO

Objetivo:
Identificar e analisar as principais barreiras administrativas, econômicas e estruturais impostas pela saúde suplementar à realização de cirurgias de coluna no Brasil, sob a perspectiva de cirurgiões especialistas.

Métodos:
Estudo transversal com 134 cirurgiões de coluna, membros da Sociedade Brasileira de Coluna (SBC) e da Sociedade Brasileira de Neurocirurgia (SBN), por meio de questionário eletrônico. Foram coletados dados demográficos, perfil profissional e a frequência de barreiras, medida por escala ordinal. As análises estatísticas utilizaram os testes Qui-quadrado, Exato de Fisher e Kruskal-Wallis (p<0,05).

Resultados:
A amostra foi composta predominantemente por ortopedistas (80,6%), homens (96,3%), com mediana de 18,5 anos de prática e atuação majoritária no setor privado (82,2%). As barreiras mais prevalentes foram atraso na aprovação superior a 21 dias (78,4%), negativa de procedimentos (71,6%) e exigência de segunda opinião por auditores (70,9%). Neurocirurgiões mostraram-se mais vulneráveis à modificação da técnica (p=0,002) e negativa de urgências (p=0,006) que ortopedistas. Cirurgiões com 11 a 20 anos de experiência relataram mais negativas de procedimentos (p=0,027). O desvio de pacientes foi mais frequente em casos de deformidades (p<0,001).

Conclusão:
As barreiras impostas pela saúde suplementar comprometem o acesso a cirurgias de coluna no Brasil, gerando impacto clínico e social. É necessária maior fiscalização da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), transparência nos processos de autorização e o fortalecimento de protocolos consensuais entre sociedades médicas para assegurar um tratamento equitativo e eficiente. Nível de evidência III; Estudo transversal.


Palavras-chave: Acessibilidade aos Serviços de Saúde,Disparidades Socioeconômicas em Saúde,Coluna Vertebral,Planos de Pré-Pagamento em Saúde,Auditoria Médica,Atraso no Tratamento.

ABSTRACT

Objective:
To identify and analyze the main administrative, economic, and structural barriers imposed by private health insurance on the performance of spine surgeries in Brazil, from the perspective of specialist surgeons.

Methods:
A cross-sectional study was conducted using an electronic questionnaire administered to 134 spine surgeons affiliated with the Brazilian Spine Society (SBC) and the Brazilian Society of Neurosurgery (SBN). Data on demographics, professional profile, and the frequency of barriers, measured by an ordinal scale, were collected. Statistical analyses included Chi-square, Fisher’s Exact, and Kruskal-Wallis tests (p<0.05).

Results:
The sample consisted mainly of orthopedists (80.6%), males (96.3%), with a median of 18.5 years of practice, and a majority working in the private sector (82.2%). The most prevalent barriers were approval delays exceeding 21 days (78.4%), procedure denials (71.6%), and the requirement of a second opinion by auditors (70.9%). Neurosurgeons were more vulnerable to technique modification (p=0.002) and emergency denials (p=0.006) than orthopedists. Surgeons with 11 to 20 years of experience reported more procedure denials (p=0.027). Patient diversion was more frequent in cases of deformities (p<0.001).

Conclusion:
Barriers imposed by private health insurance significantly compromise access to spine surgeries in Brazil, leading to clinical and social impacts. Greater oversight by the National Supplementary Health Agency (ANS), transparency in authorization processes, and the strengthening of consensus-based protocols among medical societies are needed to ensure equitable and efficient treatment.


Keywords: Health Services Accessibility,Socioeconomic Disparities in Health,Spine,Prepaid Health Plans,Medical Audit,Treatment Delay.

Resumen

Objetivo:
Identificar y analizar las principales barreras administrativas, económicas y estructurales impuestas por el sistema de salud suplementario para la realización de cirugías de columna en Brasil, desde la perspectiva de cirujanos especialistas.

Métodos:
Estudio transversal realizado mediante un cuestionario electrónico aplicado a 134 cirujanos de columna, miembros de la Sociedad Brasileña de Columna (SBC) y la Sociedad Brasileña de Neurocirugía (SBN). Se recopilaron datos demográficos, perfil profesional y la frecuencia de las barreras, medida en una escala ordinal. Los análisis estadísticos incluyeron las pruebas de Chi-cuadrado, Exacta de Fisher y Kruskal-Wallis (p<0,05).

Resultados:
La muestra estuvo compuesta mayoritariamente por ortopedistas (80,6%), hombres (96,3%), con una mediana de 18,5 años de práctica y una actuación predominante en el sector privado (82,2%). Las barreras más prevalentes fueron retraso en la aprobación superior a 21 días (78,4%), denegación de procedimientos (71,6%) y la exigencia de una segunda opinión por parte de auditores (70,9%). Los neurocirujanos se mostraron más vulnerables a la modificación de la técnica (p=0,002) y a la denegación de urgencias (p=0,006) que los ortopedistas. Los cirujanos con 11 a 20 años de experiencia reportaron más denegaciones de procedimientos (p=0,027). El desvío de pacientes fue más frecuente en casos de deformidades (p<0,001).

Conclusión:
Las barreras impuestas por el sistema de salud suplementario comprometen significativamente el acceso a las cirugías de columna en Brasil, generando un impacto clínico y social. Es necesaria una mayor fiscalización por parte de la Agencia Nacional de Salud Suplementaria (ANS), transparencia en los procesos de autorización y el fortalecimiento de protocolos consensuados entre las sociedades médicas para asegurar un tratamiento equitativo y eficiente. Nivel de evidencia III; estudio de corte transversal.


Palavras-chave: Accesibilidad a los Servicios de Salud,Disparidades Socioeconómicas en Salud,Columna Vertebral,Planes de Salud de Prepago,Auditoría Médica,Retraso del Tratamiento.






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