Giancarlo Jorio Almeida
, Alderico Girão Campos de Barros
, Gabriel Farias Alves
, Ana Carolina Leal
, Luís E. Carelli
DOI: https://doi.org/10.1590/S1808-185120252402295221
RESUMO
Objetivo:
Avaliar se a tração halo-gravitacional (HGT) pré-operatória prolongada
influencia os parâmetros espinopélvicos em pacientes com deformidades graves
da coluna vertebral.
Métodos:
Estudo observacional retrospectivo com pacientes tratados com HGT
pré-operatória entre 2017 e 2023 em um centro de referência para
deformidades da coluna. Os critérios de inclusão foram curvas >100° e
pelo menos duas semanas de tração pré-operatória. Radiografias antes e após
a HGT foram analisadas para avaliar alterações nos ângulos de Cobb (coronal
e sagital), no alinhamento vertical sagital (SVA) e nos parâmetros
espinopélvicos – incidência pélvica (PI), inclinação pélvica (PT),
inclinação sacral (SS) e lordose lombar (LL). O nível de significância
estatística foi p ≤ 0,05.
Resultados:
Quinze pacientes atenderam aos critérios de inclusão. A HGT promoveu reduções
pré-operatórias significativas nos ângulos de Cobb torácico proximal,
torácico principal e toracolombar/lombar. O ângulo de Cobb sagital e a
cifose entre T5–T12 melhoraram significativamente, enquanto a cifose entre
T2–T5 permaneceu inalterada. Os parâmetros espinopélvicos (PI, PT, SS, LL) e
o SVA não apresentaram alterações estatisticamente significativas após a
HGT. Foram observadas variações individuais na LL, mas não em nível
grupal.
Conclusão:
Embora a HGT permaneça uma ferramenta importante no manejo de deformidades
graves da coluna, sua influência sobre os parâmetros espinopélvicos é
mínima. .
ABSTRACT
Objective:
To evaluate whether prolonged preoperative halo gravity traction (HGT)
influences spinopelvic parameters in patients with severe spinal
deformities.
Methods:
This retrospective observational study included patients treated with
preoperative HGT between 2017 and 2023 at a spine deformity referral center.
Inclusion criteria comprised curves >100°, and a minimum of two weeks of
preoperative traction. Pre- and post-HGT radiographs were analyzed to assess
changes in coronal and sagittal Cobb angles, sagittal vertical axis (SVA),
and spinopelvic parameters—pelvic incidence (PI), pelvic tilt (PT), sacral
slope (SS), and lumbar lordosis (LL). Statistical significance was set at p
≤ 0.05.
Results:
Fifteen patients met the inclusion criteria. HGT resulted in significant
preoperative reductions in proximal thoracic, main thoracic, and
thoracolumbar/lumbar Cobb angles. Sagittal Cobb angle and T5–T12 kyphosis
significantly improved, while T2–T5 kyphosis remained unchanged. Spinopelvic
parameters (PI, PT, SS, LL) and SVA did not show statistically significant
changes after HGT. Individual LL variations were noted, but not at the group
level.
Conclusion:
While HGT remains an important tool for the management of severe spinal
deformities, its influence on spinopelvic parameters is negligible.
Resumen
Objetivo:
Evaluar si la tracción halo-gravitacional (HGT) preoperatoria prolongada
influye en los parámetros espinopélvicos en pacientes con deformidades
graves de la columna.
Métodos:
Estudio observacional retrospectivo que incluyó pacientes tratados con HGT
preoperatoria entre 2017 y 2023 en un centro de referencia para deformidades
espinales. Los criterios de inclusión fueron curvas >100° y al menos dos
semanas de tracción preoperatoria. Se analizaron radiografías pre y post-HGT
para evaluar cambios en los ángulos de Cobb coronal y sagital, el
alineamiento vertical sagital (SVA) y los parámetros espinopélvicos –
incidencia pélvica (PI), inclinación pélvica (PT), pendiente sacra (SS) y
lordosis lumbar (LL). Se consideró estadísticamente significativo p ≤
0.05.
Resultados:
Quince pacientes cumplieron los criterios de inclusión. La HGT resultó en
reducciones significativas preoperatorias en los ángulos de Cobb torácico
proximal, torácico principal y toracolumbar/lumbar. El ángulo sagital de
Cobb y la cifosis T5–T12 mejoraron significativamente, mientras que la
cifosis T2–T5 no mostró cambios. Los parámetros espinopélvicos (PI, PT, SS,
LL) y el SVA no presentaron cambios estadísticamente significativos tras la
HGT. Se observaron variaciones individuales en la LL, pero no a nivel
grupal.
Conclusión:
Aunque la HGT sigue siendo una herramienta importante para el manejo de
deformidades graves de la columna, su influencia sobre los parámetros
espinopélvicos es mínima.